Palavras do Arcebispo do Luxemburgo por ocasião da peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Wiltz, no dia da Ascensão
Caros irmãos e irmãs peregrinos,
60 anos de História: foi sob a chuva dos projécteis da Batalha das Ardenas que alguns homens e mulheres corajosos, sob o impulso do pároco de Wiltz, cónego Prosper Colling, fizeram numa cave a promessa de construir, quando acabasse a guerra, um santuário em honra da Santa Virgem de Fátima. Após uma novena de oração, as tropas alemãs abandonaram Wiltz no dia de São Sebastião, 20 de Janeiro de 1945. O Santuário de Nossa Senhora de Fátima foi erigido em 1949 no lugar designado por «Op Bassent» em Niederwiltz. Desde 1968, na festa da Ascensão, o dia da peregrinação a este lugar de veneração da Santa Virgem tornou se um «dia fixo» na vida da Igreja de Cristo no Luxemburgo e mesmo na vida religiosa das comunidades portuguesas dos países vizinhos.
Se bem que a situação de guerra já pertença ao passado, o peso dos múltiplos sofrimentos ainda não cessou infelizmente nos nossos dias. Ao lado das doenças físicas e psíquicas, a falta de espiritualidade, a incredulidade, o medo, a dúvida e especialmente a falta de relações autênticas constituem os verdadeiros sofrimentos do nosso tempo. É portanto urgente que os cristãos construam laços de amizade sólidos e adoptem uma atitude de escuta e de compaixão a exemplo da Virgem Maria.
Este ano recordaremos o venerando Papa defunto João Paulo II, que tinha uma ligação espiritual intensa com Nossa Senhora de Fátima, e a Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, última testemunha das aparições da Santa Virgem em Fátima em 1917, chamada com a idade de 97 anos pelo Pai celeste para a morada eterna em 15 de Fevereiro de 2005. Ambos, o Santo Papa e a Irmã Lúcia, nos deixaram um exemplo de grande fidelidade ao Senhor e de alegre adesão à sua vontade divina.